Rua Manoel Monteiro, 39, fundos, Lapa - Campos, RJ
Referência: Perto da Pracinha da Lapa

Dirigente: Mãe Vanessa Cabral

Orixás

Em primeiro lugar é preciso compreender que com a “criação” da Umbanda, como forma de culto, houve uma condensação e absorção de vários Orixás. O que podemos observar é que um dos objetivos da Umbanda é a simplicidade, tanto de culto quanto de rito.
A compreensão básica de Orixá na Umbanda é de um complexo de energias, manifestado na terra através da força da natureza criada por Deus.
A Umbanda cultua um único Deus, logo é monoteísta e os Orixás não são divindades ou semideuses, mas sim, complexos vibratórios e energéticos, criados e emanados do Astral Superior, traduzidos aqui na Terra, como energias que emanam da natureza, as quais manipulamos para o nosso próprio equilíbrio, buscando evolução espiritual através da caridade direta.
Por isso é que na Umbanda não se incorpora os Orixás, mas sim seus enviados ou representantes (alguns chamam de falangeiros). Espíritos que mantêm forte ligação missionária e fluídica com a força original com a qual está ligado. Esses enviados de Orixá é que incorporam nas sessões ou giras de Umbanda.
Cada Orixá tem como representante uma força ou um reino da natureza específico e conseqüentemente com objetivos específicos para sua atuação aqui na terra, e como a natureza, trabalham em absoluta e total harmonia entre si. Desdobram-se, confundem-se, transformam-se e conjugam-se de maneiras harmoniosamente simples e ao mesmo tempo complexas.
A origem das sete forças da natureza vem da fusão dos quatro elementos básicos: água, fogo, terra e ar. Podemos entender melhor esta fusão, quando de forma análoga nos reportamos às cores primárias: azul, vermelho e amarelo, que com o preto e o branco dão origem as demais cores.
Por exemplo: a cor azul representa o elemento água e a cor amarela o elemento ar. A mistura dessas duas cores forma a cor verde. A água conjugada ao ar é fertilizante indispensável, à formação, manutenção e expansão das matas (verde).
Assim, relacionando-se isto aos Orixás, temos: Oxum - azul; Iansã - amarelo e Oxoce - verde. Para que a mata de Oxoce seja formada precisamos das águas fertilizadoras de Oxum e para que ela se expanda, precisamos do ar de Iansã.
Oxoce, Ogum, Xangô, Omulu, Iemanjá, Iansã e Oxum são os sete Orixás básicos da Umbanda.
É importante sublinhar que Nanã é a Soberana das Águas, está presente quanto à importância, mas não em nível de Regência de Coroa mediúnica. Estando acima das Orixás Iansã, Oxum e Iemanjá.
Ressaltamos ainda que quando falamos em Orixá Básico estamos nos referindo a Orixá regente de coroa mediúnica (Ori = coroa) na Umbanda.
Na concepção da Umbanda Exu não é Orixá, pois não detém regência de Reino ou força da Natureza e conseqüentemente não rege coroa de médium. Exu é mensageiro de Orixá.
Sendo que Orixá é a tradução mais evoluída do nosso sistema manifestada através das forças da natureza, não poderíamos, nós, termos a mais pura essência desses complexos etéreos. E sim a centelha desfocada que se reflete, manifesta e influencia o médium. Que vem traduzida e decodificada em uma linguagem compreensível para nós.
A formação do arquétipo de cada um depende do grau evolutivo do médium, e contribuições dadas a sua formação, tais como, nível de consciência de vida de acordo com sua visão espiritual; qualidade da aprendizagem feita de encarnação para encarnação; historicidade cultural nesta encarnação; formação familiar e serviços prestados à comunidade em forma de caridade.
Quanto mais o médium trabalha em função da sua melhoria como ser humano, maior e melhor é a qualidade da influência vinda das mônadas do astral, pertencentes aos regentes da coroa mediúnica, ou seja, menos impurezas ele absorverá, já que seus sentimentos se tornarão forte filtro.
Sabendo-se que os Orixás estão em um plano muito superior ao nosso, os regentes da coroa do médium, regem, se manifestam e influenciam depois de atravessar vários planos e sub-planos do nosso sistema.
A característica principal ou original, dos Orixás se “perde”, se transforma e se traduz, através do astral no “caminho”, sendo “filtrado” por cada plano ou sub-plano e logicamente pela natureza vibratória que vai passando, adquirindo com ela um resíduo de cada momento astral, ditado pela faixa vibratória transitada. Isso tudo também explica as diferentes interpretações que encontramos entre os umbandistas, sobre o que vem a ser Orixá.
Como nós vivemos num plano bem inferior, onde precisamos evoluir muito, se faz necessário que o Orixá se desdobre em vibrações de característica naturista, ou seja, de origem fluídica da natureza, para se manifestar em seres encarnados ou de densidade equivalente.
Pensemos a princípio nos Sete Orixás Básicos que se manifestam em nível de terreiro, ou seja, de incorporação: Oxoce, Ogum, Xangô, Omulu, Oxum, Iemanjá e Iansã.[1]
A manifestação, em nível de terreiro, de cada um se dá através de espíritos enviados de cada uma destas forças. Importante ressaltar que na Umbanda não incorporamos o Orixá, mas sim os seus enviados ou representantes, que são espíritos que já encarnaram e que têm cada um o seu próprio karma, história, característica missionária, evolutiva, de personalidade, etc.
Temos a tendência a acreditar ou pensar que cada Orixá é o reino ao qual está associado, entretanto Orixá é muito mais do que isso, e é exatamente esse “muito mais do que isso” que não conseguimos explicar em palavras; mas, grosseiramente falando, é o amor de Deus espalhado e ao mesmo tempo condensado em 7 raios básicos, destinados ao planeta Terra, que objetivam, ao chegarem aqui traduzidos pelos diversos planos e sub-planos pelos quais passaram, nos auxiliar no nosso karma, e que se manifestam através das forças e reinos da natureza. O Orixá está na natureza, mas não é apenas a natureza. Enfim... É mais uma benção de Deus.
Quando pensamos na composição de uma árvore, por exemplo, e nos infiltramos nela, entramos no seu universo e podemos observar neste universo “árvore” que todos os 7 Orixás estão se manifestando, conjugadamente ou em paralelo, mas sempre harmoniosamente.
O umbandista deve buscar o equilíbrio de todas estas forças através da prática da caridade, do amor e respeito à natureza e às coisas de Deus. A Umbanda se propõe, através do culto aos Orixás, trazer o equilíbrio destas forças para as nossas vidas. E não existe melhor forma de se cultuar os Orixás do que nos harmonizarmos com estas forças, que se manifestam em nossos terreiros através de seus enviados de luz, que sempre nos trazem palavras de consolo, amparo, força, esclarecimento, caridade e amor, e assim fazer ultrapassar as paredes físicas do terreiro de Umbanda a sua mensagem.
A Caridade é o objetivo principal do médium Umbandista.
A Umbanda não se propõe a ser solução milagrosa para todos os problemas de ordem material criados por nós, mas propõe que, através da harmonização com as forças da natureza, encontremos amparo e alívio para os nossos problemas.
Para que possamos entender o Orixá em sua absoluta essência, é necessária uma enorme capacidade de abstração. O que diversos autores têm tentado, valentemente, explicar é algo absolutamente intangível ao nosso nível de consciência.
Orixá não é divindade, pois na Umbanda cremos num único Deus. A Umbanda não é politeísta, portanto o que passarei a descrever não é uma teogonia[2]. Orixá é potência de luz emanada de Deus, O Criador. E na Umbanda o entendimento de Orixá não está baseado em lendas do panteão africano, mas sim no estudo da dinâmica das forças da natureza. Conseqüentemente, o nosso conceito de arquétipo será diferente de quem se baseia em lendas.
Ordinariamente, entender a manifestação do Orixá através das forças da natureza, é o máximo que conseguimos pois a palavra Orixá quer dizer coroa iluminada. É o princípio mais evoluído em nosso sistema manifestado através das forças da natureza. É como querer entender e explicar Deus, tarefa impossível a qualquer um de nós.
Entretanto, podemos tentar entender juntos o caminho inverso, ou seja, da terra para o Alto, até porque para entendermos o que ocorre acima disso, precisaríamos entrar em esferas elevadíssimas que fogem ao nosso entendimento, pois ninguém tem alcance para isso. Tudo que falam são conjecturas valorosas e algumas até louváveis tentativas, mas nada absoluto. A verdade de cada um deve ser respeitada, assim como a compreensão. Avançar a esferas superiores nos será naturalmente permitido quando tivermos evolução para tal.
Na realidade o que a Umbanda fez, enquanto culto, foi “organizar” as manifestações divinas, em uma linguagem que pudéssemos compreender. Todas as “complicações” provenientes do aprendizado na Umbanda são por nossa exclusiva culpa e ignorância, basta que conversemos com qualquer Preto Velho, para termos a certeza disto.
Cada Orixá tem função específica e até as que são antagônicas se harmonizam frente as nossas necessidades, por Graça do Criador.
Todas as energias emanadas pelos Orixás estando em equilíbrio nos tornam pessoas melhores e facilitam a nossa passagem na Terra, por isso falei em benção de Deus, e também em manifestações básicas e harmônicas dos Orixás apesar de algumas manifestações serem antagônicas, mas no fundo complementares. Tudo isso justifica e explica enfim o porquê é fundamental o culto equilibrado aos sete Orixás básicos, explica o porque de não nos dedicarmos a cultuar um ou dois Orixás específicos apenas.
Os Sete Orixás básicos ao se combinarem formam outros Orixás os quais chamamos de desdobramentos do Orixá ou Orixás que foram combinados, mas mesmo assim ainda não são estes que se manifestam em nível de terreiro, mas sim os seus enviados.
O único Orixá na Umbanda que não tem desdobramentos é a Orixá Iansã, pois as suas combinações são tão rápidas que não criam reinos, mas apenas manifestações rápidas desta conjugação, não chegando a formar ou fixar-se durante muito tempo a ponto de formar um novo Orixá que seja desdobramento Dela. Outro motivo para isto é o próprio elemento por Ela representado: o Ar. O Ar não se desdobra, não se fixa, mas mistura-se aos demais elementos, entretanto sem mudar a sua essência. O Ar em movimento é o vento que causa mudanças rápidas e essas mudanças são a própria Orixá. Iansã manifestada na força da natureza... É o próprio movimento, a própria mudança.
Quando os Orixás se combinam, se unem e se conjugam temos os diferentes desdobramentos que são manifestados, em nível de terra, através do encontro de um reino com outro, ou manifestações de força da natureza, que em terreiro também recebem nomes diferentes. E encontraremos na combinação dessas forças harmonia e equilíbrio. Explicado no próximo capítulo.
Para compreendermos as forças da natureza interagindo, o que nos auxiliará entendermos como os Orixás interagem até chegarem a se manifestar em terra, basta que imaginemos e nos lembremos de como a natureza atua e funciona.
A seguir vamos expor o que chamamos de Ciclo das Águas, que objetiva ilustrar a manifestação dos 7 Orixás Básicos na natureza onde incluo Nanã para uma melhor compreensão de quando a menciono como “Senhora das Águas Originais”.
A água nascendo numa mina (Nanã) rolando pelas pedras (Xangô), em queda formando uma cachoeira (Oxum), que corre pela Terra (Omulu), germinando esta terra para o nascimento dos vegetais e árvores (Oxoce), as águas indo desaguar no mar (Iemanjá), o sol aquecendo (Ogum) provocando a evaporação e precipitação na terra em forma de chuva (Iansã), reiniciando assim o processo.
O culto a estas forças que agem e interagem de forma absolutamente harmônica e perfeita, chama-se Umbanda. Caridade e Amor ao Pai, criador de Tudo, amor e respeito à natureza e tudo que nela existe.
Agora que falamos um pouco sobre como as forças da natureza atuam, passaremos a uma pequena explanação destas mesmas forças atuando a nível de terra, ou seja, nos terreiros de Umbanda e em nossas vidas por acreditar firmemente que o que precisamos compreender primeiro é o que vemos e sentimos, depois como manipulados e finalmente, compreendermos Orixá ao nível de Astral Superior.
A Umbanda por ter origem e influência africanista e indígena, têm como referência antiga o sincretismo[3] religioso, em que os santos católicos foram associados aos Orixás africanos. Essa associação foi feita pelos negros escravizados objetivando disfarçar o seu culto aos Orixás.
Nosso país tem dimensões continentais e ao observarmos o significado da palavra sincretismo, entenderemos porque ele varia tanto de região para região.
Uma vez que a nossa vivência acontece no Estado do Rio de Janeiro, quando estivermos falando em sincretismo, estaremos nos referindo ao que ocorreu e ocorre aqui.
A Umbanda não é regida e nem se fundamenta em lendas de Orixás. Portanto, não serão encontradas aqui lendas, pois elas pertencem a outras formas de culto aos Orixás.
Essa é uma das principais diferenças entre a Umbanda e o Candomblé; aliás, ousaria dizer que Umbanda e Candomblé guardam mais diferenças do que semelhanças, a começar pela interpretação de Orixá.
De semelhante encontramos os nomes de alguns Orixás, algumas saudações de Orixá, e um termo ou outro, afinal ambos têm a mesma origem, entretanto as semelhanças param por aí. Ritualística e fundamento são absolutamente distintos e independentes. Que fique muito claro que são, portanto, religiões absolutamente distintas.
Quando estiver falando em características básicas dos regidos por cada Orixá, estarei falando de maneira geral, visando a compreensão da manifestação maior do Orixá em nível de terra.
[1] Não incluímos Oxalá na relação de Orixás Básicos por considerá-lo acima dos demais Orixás e por considerá-lo a conjugação de todos os demais Orixás, energia primeira e original emanada de Zambi ou Olorum, O Criador de Todas as Coisas, portanto Oxalá não é Orixá Básico, conseqüentemente não é regente de Ori (coroa) de médium nenhum na Umbanda, todos somos Filhos de Oxalá. Além do mais estamos falando em manifestações em nível de terreiro, ou seja, em nível de incorporação e na Umbanda ninguém incorpora Oxalá. Alguns se referem a Ele como Orixá Maior.
[2] Teogonia s.f 1. nas religiões politeístas, narração do nascimento dos deuses e apresentação da sua genealogia 2. conjunto de divindades cujo culto fundamenta a organização religiosa de um povo politeísta ETIM gr. theogonia, as ‘origem ou genealogia dos deuses’.
[3] Sincretismo 1 ato ou fato de se coligarem partes inimigas; conciliação 2 REL. fusão de diferentes cultos ou doutrinas religiosas, com reinterpretação de seus elementos 3 FIL. Síntese, razoavelmente equilibrada, de elementos díspares, originários de diferentes visões do mundo ou de doutrinas filosóficas distintas 4 ANTRPOL SOC fusão de elementos culturais diversos, ou de culturas distintas ou de diferentes sistemas sociais.

Mãe Iassan, Dirigente do CECP.

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