Rua Manoel Monteiro, 39, fundos, Lapa - Campos, RJ
Referência: Perto da Pracinha da Lapa

Dirigente: Mãe Vanessa Cabral

A gira de Umbanda

Certamente para muitos é estranho entrar num terreiro e assistir a uma gira, orar pelos Orixás para que seus problemas sejam resolvidos. Mas como isso funciona? Quais os problemas que podem ser solucionados?
A Umbanda desde que se iniciou, e isto já é um ponto a considerar, rapidamente se enquadrou dentro do contexto nacional brasileiro. É incrível a rapidez com que se propagou e o interesse que tem causado a outras nações do mundo, sendo alvo de estudos, até de teses de pós-graduação em psicologia, onde tentam por vários meios explicar um fenômeno, que facilmente se conclui que pertence a outras esferas de atividades da vida.
Observando-se o contexto nacional, a impressão que temos é que a consciência coletiva chegou a um ponto que não pode mais ser contida. Compreendemos como consciência coletiva, o somatório de consciências voltadas para um mesmo fim com laços kármicos.
Pela rapidez com que se instalou em nossas vidas, pela simplicidade que lhe é própria, pelos ensinamentos que as entidades que se apresentam como trabalhadores de Umbanda trouxeram e trazem, não houve tempo ou talvez necessidade de uma codificação no plano físico. Seu mister é trabalho e caridade. As codificações, os credos, são fatos que se fazem às vezes desnecessários, às vezes necessários. O que cada trabalhador de Umbanda deve ter como bandeira é o seguinte:
A Umbanda é uma religião voltada somente para o bem. Não fazemos trabalho para o mal, para prejudicar ninguém, ou que contrariem as Leis do Karma, assim como temos com premissa básica a Lei do Retorno.
O culto e o atendimento são gratuitos e não podem atender a interesses particulares.
Alguns trabalhadores menos esclarecidos deturpam completamente o sentido das bases do bem, saem fora da caridade e do trabalho produtivo gratificante e continuam a chamar suas sessões de Umbanda. Isto é errado e é isto que devemos combater.
Devido a pessoas sem escrúpulos, é comum chegarem consulentes nos Centros de Umbanda, e se pasmarem com fato de que o trabalho da Gira de Umbanda visar somente o bem. Esperamos sinceramente que este problema seja erradicado de nosso meio. E para isto, contamos com a ajuda de todos vocês, filhos deste terreiro, na busca pela compreensão, divulgação e esclarecimento da verdadeira Umbanda. Tenham orgulho de serem umbandistas e não vergonha. A Umbanda é linda e vocês a conhecem, portanto aprendam mais, busquem mais conhecimento e divulguem isto. Ensinem, esclareçam. Este é um trabalho de todos nós que amamos a Umbanda.
Dos pilares básicos compreendemos nas lições trazidas pelos trabalhadores espirituais e aqui evocamos a figura humilde dos Pretos Velhos o seguinte: cada um tem suas crenças, suas características, seus laços de família, de raça e religião, e isto tudo deve ser respeitado. Respeitamos todas as religiões, desde que voltadas para o bem, e que respeitem os direitos humanos.
Portanto, a Umbanda não procura prosélitos, não necessita ser pregada. Simplesmente se impõe em nosso contexto pelas verdades, ensinamentos e características que as entidades trouxeram e trazem. Procuramos compreender não apenas os princípios básicos que nos mostram, mas as leis que regem a vida. Portanto, é necessário muitas vezes evocar algo mais profundo que a nossa razão.
O trabalhador de Umbanda deve compreender que na Gira todos estão fazendo caridade, o guia, o médium, os dirigentes materiais e espirituais, o assistente. Portanto, todos têm sua paga espiritual através da Lei do Karma. Fazemos o bem, porque ultrapassamos a barreira do viver apenas por viver. Admitimos com isso, algumas leis da vida hiperfísica, e mais que admitir, colocamos em prática tais leis. No entanto, o viver nos ensina que nem todos os problemas podem ser resolvidos, por isso, procuramos, às vezes, explicações que necessitam ser mais profundas. Reconhecemos uma hierarquia dos espíritos, reconhecemos que alguns problemas que nos apresentam têm origem kármica e, portanto, não podem ser resolvidos rapidamente. Compreendemos também, que temos amigos no além-túmulo, que têm condições de ajudar e ajudam. São os guias, trabalhando por nós em outras esferas de atividade.
Consideramos inútil enunciar ou listar problemas e esferas de atividades, entretanto, podemos aplicar alguns fatores básicos:
Devemos compreender que Pretos Velhos, Caboclos ou Entidades que podem nos ajudar, não habitam em nossos planos físicos. Os pontos cantados, o defumador, o ambiente, enfim, visam oferecer condições para evocar tais entidades para perto de nós. Aí, todos devem fazer suas orações, suas mentalizações, seus pedidos.
As falanges que atendem aos apelos de nossos chamados possuem reinos de vida e áreas de atuação, de modo que trazem energias e vibrações afins. Assim, ao chegarem ao nosso meio carregam o ambiente e trocam nossa energia terrena por energia proveniente de suas hostes.
Outro esclarecimento atinente a Gira é que, na Umbanda reconhecemos os Orixás, e cada um tem sua esfera de atividades.Como embaixadores de Deus, como ministros de Deus, cada qual tem um campo de ação.
Dentro dos pedidos que se fazem as falanges que são invocadas nas Giras, um fator básico a que nos propomos, tanto os trabalhadores físicos (médiuns) como os trabalhadores espirituais é a condução de entidades que por motivos vários obsedam a pessoa ou o ambiente em que vivem. Procuramos esclarecer ou afastar as intromissões malfazejas.
Também nos propomos a tentar dissolver miasmas ou fluidos negativos agregados aos corpos dos médiuns e assistentes.
A Gira estabelece um vínculo maior entre o médium e o seu guia, ampliando assim cada vez mais entrosamento, melhorando também a sua capacidade mediúnica de trabalho.
Por último, dentro do campo das possibilidades kármicas, esclarecer ou ajudar na solução de problemas pessoais, através de mentalização clara e persistente.
Mãe Iassan, Dirigente od CECP.

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