Palavra oriunda do Sânscrito, Devanagari, a mais antiga língua do planeta Terra, raiz dos demais idiomas existentes, cujo registro do vocábulo é encontrado nas Upanishads, textos sagrados da Índia, que se pode traduzir por “Deus ao nosso lado”, “O lado de Deus”, “A luz Divina” ou ainda, “Um – Deus, o Supremo Espírito” e “banda – Povo da Terra, grupo ou facção”.Religião constituída pelas influências das raças ameríndias, africanas e européias. É a manifestação do espírito para a caridade.
Na época da colonização, quando os negros foram tirados de sua terra, na África, vieram para o Brasil com o rancor e o ódio em seus corações, pois muitos foram enganados pelo homem branco e feitos prisioneiros e escravos, feridos em sua dignidade, distantes da pátria e dos que amavam. Foram transcorrendo os anos de lutas e dores, e o negro mantinha, em seus costumes e na religião, a invocação das forças da natureza, as quais chamavam de Orixás, espécie de deuses que cultuavam com todo o fervor de suas vidas. Aprenderam com o tempo a se vingar dos seus senhores e déspotas, através de pactos com entidades perversas e com a magia negra, que outra coisa não era, senão as energias magnéticas empregadas de forma equivocada. Dessa maneira, o culto inicial aos Orixás foi-se transformando em métodos de vingança, em pactos com entidades trevosas, que assumiam o papel dessas forças da natureza ou Orixás que, na época, era um disfarce para uma série de atividades menos dignas no campo da magia.Com o tempo, foi-se formando uma atmosfera psíquica indesejável no campo áurico do Brasil, que havia sido destinado a ser a pátria do evangelho redivivo, onde estava sendo transplantada a árvore abençoada do Cristianismo pelas bases eternas do Espiritismo. A psicosfera criada no ambiente espiritual da nação foi de tal maneira violenta, que entidades ligadas aos lugares de sofrimento nas senzalas encarnavam e desencarnavam conservando o ódio nos corações, com exceção daquelas que entendiam o aspecto espiritual da vida. Assim, a magia negra foi se espalhando em forma de culto pelas terras brasileiras. Do Norte ao Sul do país, as oferendas, os despachos, as amarrações eram oferecidos, criando uma crosta mental sobre os céus da nação. Nos planos etéreos da vida, reuniram-se então entidades de alta hierarquia com o objetivo de encontrar uma solução para desfazer a egrégora negativa que se formava na psicosfera do Brasil. A magia negra deveria ser combatida, e seus efeitos destrutivos haveriam de ser desmanchados de maneira a transformar os próprios centros de atividades dos cultos degradantes, em lugares que irradiassem o amor e a caridade, única forma de se modificar o panorama sombrio. Havia necessidade de que espíritos esclarecidos se manifestassem para realizar tal cometimento. E, assim, foram se apresentando uma a uma, aquelas entidades iluminadas que haveriam de modificar suas formas perispirituais, assumindo a conformação de pretos velhos e caboclos, e levariam a mensagem de caridade através da Umbanda, cujo objetivo inicial seria o de desfazer a carga negativa que se abatia sobre os corações dos homens no Brasil.Então, no final do século XIX, em 15 de novembro de 1908, nasce a Umnanda em solo brasileiro, em Niterói, estado do Rio de Janeiro, mais precisamente em Neves, ou seja, São Gonçalo.Um rapaz, chamado Zélio de Moraes, 17 anos, estava doente. A mãe levou-o ao médico, o rapaz não dormia e não comia direito há três dias. Acordava assustado e tinha “alucinações”. Os médicos não conseguiram diagnosticar a “doença”.A mãe resolveu levá-lo a um Centro Espírita. Lá chegando, o jovem foi convidado pelo dirigente dos trabalhos a ficar na mesa junto com os outros médiuns e não na assistência. Estavam todos já na oração, quando subitamente Zélio se levanta e diz, “está faltando uma flor aqui”. Saiu e voltou com a flor, colocou-a sobre a mesa e sentou-se. Criou-se com isto, certo tumulto, pois não estavam acostumados a estas manifestações.Depois, Zélio novamente levantou-se, incorporado. Diversos médiuns da corrente também incorporaram Caboclos e Pretos Velhos. O médium Zélio incorporado diz, “que a paz de Oxalá esteja presente”. O dirigente, percebendo tratar-se de um Caboclo, convidou-o a se retirar, dizendo que ali trabalhavam somente com espíritos de luz e solicitou que levasse com ele todos os outros espíritos que o acompanhavam. E a entidade, que se denominou como Caboclo das Sete Encruzilhadas, numa alusão aos sete planos da manifestação, respondeu: “Viemos aqui hoje, para fazer a caridade trabalhando no bem em nome de Jesus. Se as nossas vestimentas e maneiras de nos apresentarmos os incomodam, iremos. Mas afirmo que amanhã mesmo voltarei a casa deste aparelho e criarei uma nova religião que aceitará todos os espíritos que desejarem trabalhar para o bem”.E no dia seguinte, o Caboclo compareceu à casa do médium e determinou a criação da Umbanda, as vestimentas, os rituais de trabalho. E que a Umbanda trabalharia com todos os espíritos que desejassem fazer o bem e que não estivessem sendo aceitos em outras religiões.Todos os médiuns que estavam presentes e incorporaram no Centro Espírita, foram até lá para ver o que aconteceria e incorporaram novamente.A Umbanda seria o elo de ligação com o alto, penetraria aos poucos nos redutos de magia negra, os quais se mantinham enganados quanto às leis de amor e caridade, e iria transformando, com as palavras de um Preto Velho ou as advertências do Caboclo, os sentimentos das pessoas. E, para isso, era necessário que elevados companheiros da vida maior renunciassem a certos métodos de trabalho considerados mais elevados e se dedicassem às atividades que a Umbanda se propunha. A esses companheiros de elevada hierarquia espiritual juntaram-se espíritos de antigos escravos e índios, que serviram por muito tempo nas fazendas e nos arraias da terra do Cruzeiro e, em sua simplicidade e boa vontade, propuseram-se a trabalhar para mostrar ao homem branco e civilizado as lições sagradas da Umbanda. Manifestavam-se aqui e acolá ensinando suas rezas, mandingas, beberagens, auxiliando a curar doenças e dando lições de amor e humildade. Na verdade, a Umbanda tem conseguido seu intento, e aos poucos, vão sumindo dos corações dos oprimidos o desejo de vingança, o ódio e o rancor.Na palavra de um Caboclo ou de um Preto Velho, ensina-se a lei de causa e efeito por meio do Orixá Xangô, que simboliza a justiça; a reencarnação torna-se mais compreensível às pessoas mais simples quando o preto velho fala de sua outra vida como escravo e da oportunidade de voltar a Terra em novo corpo, para ajudar seus filhos. A força das matas, das ervas, é ensinada na fala do Orixá Oxóssi; o amor é personificado no Orixá Oxum; a força de transformação, a energia de vitalidade, é apresentada nas palavras do Orixá Ogum.Mas há muito o que fazer ainda, muito trabalho a realizar. Nossa explicação não esgota o assunto, mostra apenas um aspecto da Umbanda, que guarda suas raízes em épocas muito distantes no tempo.A caridade é Lei Universal e nós que trabalhamos na seara umbandista devemos ter nela o guia infalível de nossas atividades.